No fim do mundo encontrei o meu lugar
O sol
brilhava ardente, apesar do vento gélido soprar forte nessa época do ano. O
outono no reino de Vykeland era muito mais frio que em qualquer outro lugar do
continente. A temperatura baixa de agora não chegava nem perto do verdadeiro
clima invernal que assolaria a região daqui há poucos meses. Embora o clima
desencorajasse os outros, o valor pago para escoltar a caravana comercial de mantimentos
à cidade de Mordevento compensava todo o esforço. Além disso, não era só o
dinheiro que atrairá Rodo Foot-lucky àquele lugar esquecido no final do mundo
de Azera.
Ao chegar na
praça central da pequena cidade, Rodo recebe seu pagamento pelo trabalho, 5
moedas, para em seguida procurar algum lugar para comer, descansar. Avista, não
muito longe dali, uma taverna um tanto quanto movimentada.
Ao se aproximar
da taverna, observa outro estabelecimento com uma placa de madeira desenhada
com armas e armaduras brilhantes. Além disso, o que lhe chamou a atenção foi o
fato de ter penduradas ao lado dos desenhos, três cabeças de orcs, ao que
parece colocadas ali há pouco tempo. Tal imagem remeteu-lhe as memórias de
outrora, quando seu reino, Belfist, foi invadido por uma horda destas imundas e
cruéis criaturas sanguinolentas. Chacinado centenas de halflings inocentes e
pacíficos. Pilhando suas terras e plantações. Essa cena reforçou ainda mais a
decisão que o jovem Rodo tomou ao deixar sua terra natal, pois em algum lugar,
ele acredita, ainda devem existir indivíduos que possam ajudar seu povo a sair
desta situação.
Adentrando
calmamente a cheia tavena, ele percebe que o local também funciona como uma
estalagem, pois há quartos de descanso no segundo pavimento. Aproximando-se do balcão, Rodo escala uma das
banquetas, senta-se e dirige a palavra para a atendente, com sua voz aguda e
calma:
- Oi unai! – disse Rodo com um semblante amigável
para a atendente que estava atrás do balcão, que lhe voltou a atenção
respondendo com um sorriso.
- Oi garotinho, o que deseja?
- Alguma bebida para molhar a garganta e
alguma carne para forrar o estômago.
- Tudo bem, posso conseguir isso para você,
mas o que uma criança faz sozinha por aqui?
- Mas não sou criança, sou ‘halfin’ - disse
com eloquência para a mulher.
- Ah, me desculpe, eu nunca havia conhecido um
pequenino antes. Já lhe trago alguma coisa para beber e comer.
Pouco depois
a mulher serviu uma caneca de cerveja e um pouco de carne ao molho com verduras
e legumes. Não era uma boa refeição, mas naquele momento qualquer coisa lhe
servia para matar a fome. Enquanto comia Rodo puxou conversa novamente com a
atendente:
- Unai, eu vi num casa uma placa com desenhos
de armas, armaduras e cabeças de orcs penduradas aqui ao lado, que lugar é
esse?
- Ah, não se preocupe com isso... é só um muquifo
de alguns vagabundos, beberrões e mercenários que se dizem heróis... se chamam
de Guilda dos Heróis.
- ‘Helróis’? São helróis mesmo? – Rodo questionou
a mulher com espanto e evidente empolgação.
-
Bom, você pode julgar por si mesmo assim
que chegarem, sempre veem aqui no final do dia.
- Ah que ótimo, vou esperar.
Após terminar
de comer pediu um quarto para descansar, pagou adiantado pela estadia e pediu
para ser chamado assim que os heróis chegassem.






